mulheres na política

A inserção das mulheres no mercado de trabalho é uma conquista, mas que engatinha no quesito direitos iguais. Infelizmente, as mulheres ainda ganham menos que os homens, mesmo ocupando cargos iguais. Além disso, em um ranking produzido pela revista Fortune com as 500 maiores empresas em 2017, apenas 5% dos CEOs eram mulheres. No quadro político também não é muito diferente: o Brasil, por exemplo, ocupa a 154ª posição entre 193 países do Inter-Parliamentary Union na participação de mulheres na política.

Isso mostra uma realidade ainda pouco representativa para o gênero e uma necessidade latente por mais participação. No artigo a seguir falaremos um pouco mais sobre o quadro feminino na política, a importância da mulher nesse setor, entre outras questões. Confira!

Mulheres na política e a realidade mundial

Muitas conquistas foram obtidas pelas mulheres ao longo dos anos, dentre elas o direito ao voto e a maior participação na sociedade. No entanto, quando se trata de questões políticas, a mulher ainda é muito subjugada pela sociedade.

É só olharmos para o quadro político mundial para elucidarmos melhor a questão. Segundo a UN Women (braço da Organização das Nações Unidas), até junho de 2016 apenas 22,8% dos parlamentares em todo o mundo eram mulheres. Um crescimento lento nos últimos 20 anos, visto que em 1995 esse número correspondia a 11,3%. A mesma instituição relatou que em julho de 2017 apenas 2 países contavam com uma política com representatividade feminina superior a 50%.

O fato é que o número de mulheres na população e as suas representações nos poderes legislativo e executivo são muito baixos, o que é um reflexo negativo para a sociedade — prova disso são as políticas públicas feitas por homens e que privilegiam os homens.

De acordo com uma pesquisa realizada por Fernanda Brollo e Ugo Troiano, quando uma mulher é eleita as chances de que haja corrupção em seu governo são bem menores se comparadas aos homens. Para isso, levaram em consideração disputas de cargos municipais, em que um homem e uma mulher concorriam a eleição para prefeito.

Ademais, outros estudos desenvolvidos mostram que quando as mulheres possuem maior representatividade política, mais recursos são investidos em saúde e educação, dois dos pilares centrais de um país preocupado com o seu povo.

A importância da figura feminina na política

No último tópico fizemos um panorama sobre o papel feminino na política mundial e falamos um pouco sobre a importância das mulheres nas políticas públicas ligadas à saúde e à educação. No entanto, a essencialidade de se ter uma maior representação feminina vai além disso: é uma forma de empoderar o gênero.

Segundo a Harvard Kennedy School, com a liderança feminina na política, as mulheres se tornam mais engajadas na discussão cívica. E mais: as minorias são mais propensas a denunciarem os crimes cometidos contra elas e o nível educacional das adolescentes, bem como as suas aspirações de carreira, aumenta. Ou seja, constrói-se um campo fértil para a maior igualdade de gênero.

Elas são imperativas para as comunidades em que atuam, especialmente para outras mulheres e adolescentes. No entanto, por uma questão cultural, no próprio Brasil, vemos ainda com preconceito a presença feminina no campo político. O reflexo disso? 12,5% das mulheres que concorreram a cargos públicos nas eleições municipais de 2016 não receberam um voto sequer, o que representou um total de 18.244 candidatas, levando em consideração que a maioria dos eleitores brasileiros são justamente mulheres.

Ou seja, isso mostra o quão essencial é a atuação dos próprios governos em prol de uma campanha mais participativa das mulheres, mas também uma conscientização dos próprios eleitores e partidos do impacto positivo dessa igualdade de representação na política.

As ações para aumentar a representatividade

Como falamos, é necessária uma intervenção para que as mulheres na política tenham mais força. A UN Women (ONU Mulheres no Brasil) tem como uma de suas propostas para meta global “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”. Para isso, criou programas como:

  • Projeto voz das Mulheres Indígenas: para aporte das mulheres dos povos indígenas no processo de enfrentamento de violências de gênero e opressão, além de estabelecer e incentivar a participação política, assim como o empoderamento econômico e acesso a direitos básicos da saúde à segurança.
  • Mulheres Negras: a ONU também mantém projetos que ajudam na articulação política das mulheres negras na sociedade, auxiliando-as no combate ao sexismo, racismo e outras formas de discriminação. O projeto conta com rede de mulheres que auxiliam nas participações nos movimentos e articulações tanto em âmbito regional quanto internacional.
  • Mulheres rurais: outra iniciativa que ajuda na articulação política da população feminina que vive nas áreas rurais dos países.
  • Mulheres jovens: visa a inserção de jovens negras, LGBT, indígenas etc. na sociedade, de forma a conhecerem a realidade e os estilos de lideranças que ajudam na militância e visam a inclusão nos espaços de debate.
  • Mulheres LGBTT: visa a construção do diálogo e uma projeção maior das mulheres LGBTT nos centros de discussões políticas, a fim de promoverem mais igualdade e extinguir o preconceito.

Não só a ONU, como também os próprios governos dos países têm estabelecido até leis para que haja uma maior representativa feminina na política. O Brasil, por exemplo, na Lei Eleitoral 9.100, promulgada em 1995, determinou que 20% dos postos políticos fossem ocupados por lideranças femininas.

Em 2010, o TSE reformulou a lei e tornou obrigatória 30% de participação das mulheres na política como candidatas, sendo uma cota mínima exigida. No entanto, os partidos ainda têm dificuldades em atrair as mulheres para seus cargos. Uma das falhas está justamente no fato de não distribuírem as verbas de campanha de maneira igual, fazendo a distinção para homens.

Tudo isso mostra que “instituições fortes, que promovam o empoderamento das mulheres, são indispensáveis para garantir avanços e impedir retrocessos”, como relatou a ex-presidente chilena Michelle Bachelet.

É preciso que as instituições olhem e apoiem mais as mulheres na política, afinal, elas precisam representar a maioria de eleitores do país. Mas não só isso: a presença feminina nesse campo traz benefícios para toda a população, além de trazer maior igualdade de gênero, algo essencial na sociedade em que vivemos.

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