O ano de 2018 será decisivo no Brasil, afinal, estamos prestes a passar por eleições presidenciais e estaduais. Presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais serão escolhidos. Mas muito além de participar de eleições, é interessante entender como políticos em outras partes do mundo trabalham as suas campanhas. Aliás, temos muito a aprender com as campanhas políticas internacionais.

A seguir, você conhecerá exemplos que mostram como alguns dos políticos mais famosos do mundo se organizaram não só para gerar engajamento dos cidadãos, mas de fato conquistar seus votos. Confira algumas das campanhas políticas internacionais mais interessantes dos últimos anos!

Barack Obama

Antes de se tornar o candidato do Partido Republicano na corrida presidencial de 2008, Barack Obama era um senador de Illinois discreto, bem diferente dos colegas com os quais disputou as prévias eleitorais nos Estados Unidos.

Foi em 2007, no estado que o elegeu senador, que Obama anunciou sua candidatura contra a famosa senadora Hillary Clinton. Até então, acreditava-se que Clinton disputaria a vaga presidencial pelo Partido Republicano. No entanto, ela não contava com três pontos cruciais que levaram Obama a ser um dos candidatos mais populares da história americana: disciplina, organização e uma massiva campanha de captação de recursos.

A vitória de Obama é carregada de significados devido à sua improbabilidade, mas também à alta capacidade de explorar os recursos digitais, o que causou uma profunda mudança na maneira de fazer campanhas políticas em todo o mundo. O segredo: uso dos canais digitais (redes sociais) e outras mídias e incentivo à participação da sociedade — especialmente dos norte-americanos que até então nunca tinham votado, os jovens.

Por meio de ações que incentivavam o voluntariado e a arrecadação para a campanha, Obama se preocupou em mostrar aos cidadãos que eles eram protagonistas nas eleições. O slogan marcante “Yes We Can” foi o apenas um dos destaques de sua campanha, que contou ainda com a força dos microinfluenciadores (principalmente forças locais), mensagem pulverizada em diferentes canais e participação ativa dos cidadãos.

Tudo isso graças a aspectos muito bem trabalhados e que se tornaram cruciais para vencer a corrida presidencial: a abertura de Obama à disrupção, a utilização de novas ferramentas — no caso, as redes sociais — e a inserção das minorias (que juntas eram maiores que o grupo tradicional). Isso se tornou uma das campanhas políticas internacionais mais utilizadas como referência em todo o mundo.

Hillary Clinton

Apesar de não ter vencido a corrida presidencial contra Donald Trump em 2016, a campanha da republicana é um exemplo na política. Assim como Obama, ela apostou nos meios de comunicação social para interagir com a sociedade e levá-la às urnas para votar.

Diferentemente do seu posicionamento em 2007 durante a disputa pela vaga republicana com Obama, Clinton percebeu que a aproximação do público deveria acontecer não só presencialmente, visto que é impossível visitar todos os lugares, mas também nos meios digitais, que são reconhecidamente mais democráticos.

Tanto é que o anúncio de sua campanha foi feito no YouTube e no Twitter. No Instagram, ela utilizou as hashtags para atrair influenciadores. Enquanto isso, o Periscope foi utilizado para eventos transmitidos ao vivo. Ela ainda manteve contas no LinkedIn, Facebook, Pinterest e Snapchat, todas bem assistidas.

O sucesso dela só foi possível porque sua equipe soube integrar as plataformas e oferecer conteúdos diversos nelas. Ou seja, as mídias não serviram para replicar uma mesma mensagem em todas as redes, mas sim para mostrar a candidata em diferentes situações, o que certamente contribuiu para uma maior aproximação dos públicos distintos desses canais.

Donald Trump

De excêntrico empresário a presidente da maior potência mundial. Donald Trump, com seus discursos polêmicos, pode atribuir seu sucesso na conquista pelo cargo mais alto do país a uma tecnologia que há algum tempo vem despontando no mercado e sendo cada vez utilizada mais pelas empresas: o Big Data.

Contratado por Trump, Michal Kosinski, da Cambridge Analytica, mostrou uma nova face do uso de dados na política. Segundo estudos anteriores realizados por ele, é possível conhecer profundamente uma pessoa apenas com base nos seus hábitos nas redes sociais. Foi isso que levou o candidato norte-americano a usar essas estratégias para vencer as eleições. As mensagens publicadas pelo empresário no Twitter eram milimetricamente construídas por meio da psicografia no processo eleitoral.

O modelo de sucesso da empresa que ajudou Trump foi baseado na personalidade de cada adulto dos EUA. A partir da reunião de dados de diversas fontes (desde informações sobre compras até anseios e necessidades), a Cambridge Analytica ofereceu, ao final da pesquisa, uma base para que pudesse ser feita a segmentação dos anúncios, personalizando-os de acordo com o perfil de cada público.

Isso permitiu que Trump conversasse com diferentes públicos, oferecendo a eles exatamente o que queriam. Por exemplo, para angariar eleitores do distrito de Little Haiti, localizado em Miami, a campanha de Trump disseminou reportagens sobre o fracasso da Fundação Clinton após o terremoto no Haiti. Tudo isso graças à segmentação. Apesar das mensagens contraditórias, o uso de dados o levou ao cargo mais alto do país.

Cristina Kirchner

Cristina Kirchner governou a Argentina de 2007 a 2015. No entanto, foi durante a busca pela sua reeleição em 2015, que culminou posteriormente em sua derrota, que ela viu que as antigas estratégias políticas utilizadas para conquistar os eleitores já não funcionavam tão bem. Tanto é que ela foi vencida pelo empresário Mauricio Macri.

As campanhas de Cristina Kirchner eram típicas do peronismo, com comícios para grandes públicos, faixas e mais faixas e pressão pública. No entanto, com a derrota, foi possível ver que uma nova era havia se instalado no país e que, se quisesse continuar na política, ela precisaria se adaptar.

A transformação aconteceu principalmente na imagem da candidata. Antes radical, de pouca fala, Kirchner passou a representar uma figura acessível, principalmente ao deixar de lado os discursos agressivos e ataques à imprensa, concentrando-se em manter uma boa imagem nas redes sociais e também fora delas. Tanto é que não contra-atacou as provocações da campanha de Macri. Isso fez com que ela ganhasse espaço e diminuísse o índice de rejeição.

As estratégias desses quatro políticos mostram a importância cada vez maior do marketing e do foco no público. Afinal, é ele o responsável por determinar tendências de consumo, mas também seus anseios enquanto cidadãos. Como vimos, a aproximação e a utilização dos canais digitais têm sido cruciais nessas disputas. Quando bem utilizadas, essas mídias levam a resultados surpreendentes.

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