Antes de entendermos o que é marketing político, é importante conhecermos o conceito de marketing. Ao contrário do que muitos pensam, marketing não é o trailer que você assiste na televisão, ou seja, ele não é propaganda, nem tão pouco publicidade.

Marketing é a ciência que estuda o comportamento dos agentes componentes do mercado, através de pesquisas, diagnósticos e prognósticos. Tudo isso visando o correto posicionamento de um produto ao seu consumidor em potencial.

No caso do marketing político, o objetivo é identificar os possíveis eleitores e projetar uma imagem positiva do candidato em questão. Quer saber mais detalhes sobre o assunto? Então, confira como o conceito pode te ajudar a vencer a eleição!

Afinal, o que é marketing político?

O marketing político se vale da essência da conceituação referida ao marketing, só que em outro contexto, o político-eleitoral.

A definição brasileira consagrada e mais admitida é a do cientista político Rubens Figueiredo. Ele fala que “o marketing político é um conjunto de técnicas e procedimentos que tem como objetivos adequar um(a) candidato(a) ao seu eleitorado potencial, procurando fazê-lo, num primeiro momento, conhecido do maior número de eleitores possível e, em seguida, mostrando-o diferente de seus adversários, obviamente melhor do que eles”.

Em outras palavras é buscar entender os anseios e necessidades recorrentes do eleitorado em determinado momento e adequar o discurso do(a) candidato(a) para não fugir das preocupações da sociedade.

Para que as estratégias deem certo, o primeiro passo é a realização de pesquisas. Será por meio delas que o candidato vai descobrir quais são os desejos, dificuldades e queixas dos seus potenciais eleitores. Feito isso, é preciso traçar o perfil do público-alvo.

Com esse perfil em mãos, toda a postura do político deve ser voltada a ele. O vocabulário, as roupas, as redes sociais, os eventos etc. devem ser compatíveis com o público.

A evolução do marketing político

Apesar de parecer um conceito novo, o marketing político começou a dar os seus primeiros passos junto à evolução tecnológica — mais precisamente após a invenção do rádio.

Em 1925, o ditador italiano Benito Mussolini foi um dos primeiros a usar o aparelho para mobilizar a sociedade. Desde então, vários políticos divulgaram as suas ideias por meio do som, sendo que o carisma pessoal era uma das únicas armas que eles tinham.

Em 1952, contudo, o marketing teve uma virada radical. Nesse ano, o general norte-americano Dwight Eisenhower contratou uma agência publicitária para cuidar da sua campanha eleitoral.

No Brasil, um dos pioneiros foi Prudente de Morais, que na década de 1980 já promovia algumas ações próprias do marketing. Naquela época, ele fazia comícios e viajava no lombo de burros para conquistar o voto da população. Além disso, o ex-presidente sempre levava consigo uma caderneta, com os endereços dos principais eleitores.

Getúlio Vargas é outro nome de destaque. Ele contratou um profissional de marketing — que, por sinal, fez estágio na Itália com os assessores de Mussolini — para cuidar de sua imagem.

Obviamente, nos últimos anos, o modo de propagar as ideias dos candidatos mudou radicalmente. Com a internet, os políticos ganharam uma nova aliada: as redes sociais. Entretanto, se usadas de maneira incorreta, elas podem atrapalhar ao invés de ajudar.

Quais são os tipos de marketing político?

O marketing político é divido em, pelo menos, três tipos:

  • eleitoral, que é realizado no período da campanha eleitoral com dia e hora para início e fim, sendo utilizado por quem não possui mandato ou deseja se reeleger;
  • pós-eleitoral, que é o uso permanente das ferramentas de comunicação por quem já possui um mandato, visando manter sua imagem associada a uma boa administração, objetivando a ampliação de seu poder;
  • partidário, como o nome diz, trabalha a imagem dos partidos políticos.

Para simplificar, podemos dizer que a principal diferença entre os tipos é que o marketing político eleitoral acontece durante o período legal da campanha. Já os outros (partidário, pós e pré-eleitoral) deve ocorrer antes e depois dos 45 dias que antecedem as eleições.

A seguir, entenda melhor a diferença entre os principais conceitos:

Marketing político

Como dissemos, o marketing político cria e desenvolve estratégias para divulgar ações de determinado candidato. O objetivo aqui não é apenas ganhar a eleição, mas sim construir uma imagem forte e carismática perante seu público.

O objetivo é que, com as estratégias aplicadas de maneira correta, o político possa se comunicar com o povo que o elegeu e ainda conquistar mais eleitores nas próximas eleições.

Para que sua campanha fale diretamente com seu eleitorado, por exemplo, é fundamental estudar e definir QUEM é seu eleitorado, ou no caso: as personas do eleitorado. Pois assim você conseguirá desenvolver as estratégias e a comunicação de forma direcionada.

Muita gente ainda confunde persona com público-alvo, mas há diferença entre esses dois termos! A principal diferença é que o público-alvo apresenta informações de forma mais ampla e genética.

Enquanto isso, o conceito de persona consiste em detalhes mais específicos, permitindo definir, com base nos dados obtidos pelas pesquisas, indivíduos semifictícios, ou seja, criados com base em dados reais, mas sem representar um eleitor específico.

Outra vantagem da criação de personas está na possibilidade de desenvolver mais de uma persona, visando segmentar públicos distintos dentro de um mesmo eleitorado, por exemplo, o que aumenta a eficiência da comunicação.

Para entender como desenvolver uma persona, clique aqui e leia nosso artigo que aborda este assunto!

Sem ações eficientes de um bom marketing político, não existe sucesso na comunicação entre político e eleitores. Com esse distanciamento, a população não fica ciente das propostas, intenções e feitos de muitos candidatos e sem conseguir ainda acompanhá-lo depois de eleito.

Para isso, é preciso criar uma série de estratégias permanentes, como, por exemplo:

  • Manter uma presença constante na internet: o político deve ter sites e perfis em redes sociais a fim de nutrir um diálogo constante com o público;
  • Investir em conteúdo: apenas estar presente em todas as redes sociais não é o suficiente, é necessário que as redes do político esteja abastecida com um conteúdo bem feito e assertivo. Para seguir esta estratégia, a utilização do Marketing de Conteúdo pode ser muito benéfica! Um bom material tende a ser compartilhado nas redes sociais e faz com que mais pessoas conheçam o político e suas propostas.
  • Conservar uma boa relação com o eleitorado: quem deseja tentar a reeleição precisa dialogar com os eleitores. Para isso, é necessário recebê-los bem no gabinete, mandar e-mails, mensagens ou SMS com periodicidade, atender as solicitações com atenção etc.

Além disso, a participação em eventos também faz parte das estratégias do marketing político. Aqui, também é preciso ficar atento à vestimenta, pois ela tem um papel fundamental para atrair os eleitores certos.

Quem deseja atingir um público elitizado e de mais idade, por exemplo, deve vestir roupas formais e assumir um discurso mais rebuscado. Já os que pretendem dialogar com a juventude podem ser mais informais e, dependendo da ocasião, usar a linguagem dos jovens.

Todos esses detalhes devem ser pensados com cuidado após definido o público-alvo do candidato. Cabe ao profissional de marketing, junto aos assessores, orientar o político.

Marketing eleitoral

Como o próprio nome diz, o marketing eleitoral ocorre durante a campanha. Após mapear o público do candidato, será necessário elaborar slogans, propagandas, textos, imagens etc. que sejam compatíveis com o perfil do eleitor que se deseja alcançar.

Assim, todo o perfil do candidato — principais temas abordados, planos de governo, vestimenta, linguagem, oratória etc. — deve estar de acordo com o público-alvo.

Vale lembrar que, apesar de distintos, um conceito não anula o outro. Tenha em mente que os grandes estrategistas sempre alinham o marketing político com o eleitoral.

Atualmente, o marketing político tem ganhado status de ciência, passando a ser estudado por entidades e profissionais de nosso país. Aos poucos, ele vem ganhando espaço nas grades curriculares de graduação e cursos de especialização.

O seu prestígio e importância estão sendo visivelmente notado nas eleições dos últimos anos. E como disse o professor Manhanelli em relação ao político que não utiliza o marketing político em sua campanha, “O fator sorte sempre existe, mas, com certeza, ele terá uma eleição e não uma carreira política”.

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