Logo após o término do primeiro turno das eleições, diversos veículos de mídia já tinham prontas suas pautas sobre o brasileiro, que havia protestado nas ruas em junho de 2013, ter votado nos “mesmos candidatos de sempre”. Foram análises de cientistas políticos, editoriais, matérias em revistas de grande circulação, e, claro, um grande número de blogs e posts nas redes sociais sobre o assunto.

De modo geral, a conclusão foi que as manifestações não tinham influenciado em nada as escolhas dos eleitores. O tom era de pessimismo: nem o brasileiro que sai as ruas para protestar consegue, na visão destes analistas, fazer um voto mais consciente e em políticos novos que possam dar um rosto diferente ao cenário político do país.

Existe um aspecto fundamental que passa despercebido à maioria dessas análises: as manifestações de junho não foram homogêneas. Não havia uma razão que era comum a todas as pessoas que estavam nas ruas. Vimos, algumas vezes, visões que partiam do princípio que todos estavam protestando contra o partido governista. O que não é verdade, vide que a fagulha para todo o processo de manifestações foi dada em São Paulo, em claro descontentamento ao governo que é oposição ao governo federal.

Havia pessoas contra a corrupção, contra os aumentos, contra as obras da Copa do Mundo, contra governos estaduais, contra o governo federal… Enfim, não havia um motivo que era comum a todos.

Acredito que esta não é a única razão possível para explicar a falta de alterações significativas nos quadros das Assembleias e na Câmara Federal. Há também uma razão de ordem logística. O eleitor não consegue votar em um candidato que ele não conhece. Os candidatos “novos”, muitos com ideias novas e planejando ser uma resposta da população aos “velhos” poderosos, não conseguiram se fazer notar pelo eleitor.

Na minha opinião, a culpa da falta de mudança no cenário político não é do eleitor, mas sim dos políticos que não souberam se comunicar com esse público.

Durante todo o período eleitoral, conheci candidatos que tinham uma visão nova sobre política. Estavam, em suas próprias palavras, “de saco cheio” e queriam ser uma opção nova para o eleitor, queriam ser uma resposta às manifestações de Junho/13. Todos bem intencionados e prontos para dar o primeiro passo. A maioria, porém, não deu continuidade à caminhada.

É fato que o eleitor do legislativo escolhe seu candidato apenas na última hora. Entretanto, ele só consegue escolher dentro de um leque de candidatos que são “conhecidos”. Caras novas têm muita dificuldade para receber estes votos “de última hora”. Seus votos vêm de pessoas que decidiram com antecedência e que o conhecem por algum motivo, normalmente por uma proximidade de interesses ou mesmo de localização.

Esta inércia faz com que a maioria dos votos se concentre em candidatos já conhecidos da população, em pequenas celebridades que têm mais visibilidade e em parentes de políticos conhecidos, que através de seu sobrenome conseguem um alcance maior. Essa situação é muito difícil de ser quebrada, principalmente porque o candidato no Brasil tem uma visão extremamente antiquada das Eleições.

A maioria dos candidatos para o legislativo não são candidatos reais, estão ali apenas para que os partidos atinjam as cotas necessárias para permanecerem viáveis. Outra parcela dos candidatos busca a reeleição ou tem parente político. A parcela que sobra é a dos candidatos “novos”. A grande dificuldade para eles é justamente tornarem-se conhecidos, para que mais eleitores o escolham com antecedência e também para entrar no leque de candidatos possíveis nas decisões de “última hora”.

O candidato que quer ser um novo representante precisa encarar as Eleições de outra maneira. Precisa ser político nos anos que antecedem as Eleições. Precisa procurar ajuda profissional de Marketing Político e principalmente de Marketing Digital, já que a internet tem sido um campo cada vez mais importante para candidatos com pouco verba de campanha. Ele não pode continuar esperando agosto e setembro para começar a aparecer, nem esperar que o partido lhe dê condições ou financie sua campanha.

Independente de vermos uma reforma política nos próximos anos, o cenário brasileiro continuará mudando muito pouco a cada Eleição. Isso só será diferente quando os próprios candidatos mudarem sua visão sobre como fazer campanha e se tornarem opções reais para o eleitor.

Filipe Alves é Diretor de Clientes do SGP, software 100% web feito para a gestão de campanhas e mandatos. É cientista político e especialista em gestão de projetos.

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